presídio de Ushuaia

Os encantos naturais da Patagônia são exaltados desde que Fernão de Magalhães contornou a região no começo do século XVI e desde muito antes nas fábulas yamana e de outros indígenas da região. Mas foi apenas com a instalação do presídio em Ushuaia que a região passou a ser efetivamente habitada pelo homem branco, a se integrar à administração central e a se desenvolver economicamente. Uma história surpreendente!

* * *

A história do Presídio de Ushuaia

Estudar a história de um local requer contexto. Requer pesar as características e fatos que levaram à sucessão de acontecimentos que hoje lemos nos livros de história. Com a Patagônia, claro, não poderia ser diferente.

Especialmente no caso de Ushuaia. A cidade mais austral do mundo possui muitas peculiaridades em sua trajetória. Uma das mais surpreendentes é como o Presídio de Ushuaia, atual Museu Marítimo e Presídio do Fim do Mundo, se tornou um dos principais motores para a aumentar a população da região, integrá-la ao governo central argentino e fazê-la desenvolver-se economicamente.

Trata-se de uma história realmente incrível – por vezes não tão bonita – que a gente conta pra você e coloca você mais perto de um dos símbolos da cidade e de toda a Patagônia.

Vem com a gente!

 


 

As disputas entre Chile e Argentina (Tratado de 1881)

Desde o começo, a separação dos territórios entre Argentina e Chile foram um problema grave a ser contornado. Inicialmente, o governo argentino não tinha muito interesse na região, por conta especialmente dos altos custos de transporte. O Chile, no entanto, começou a explorar a região com mais afinco, tendo como ponto principal a cidade de Punta Arenas. A Argentina, com o avanço da tecnologia de transporte e consequente barateamento da operação, passou também a reivindicar sua porção. Foram diversos os conflitos – que se estendiam pelo Canal Beagle e chegavam ao Estreito de Magalhães, mais ao norte – até que em 23 de julho de 1881, em Santiago, fosse, finalmente, assinado o acordo que definia o mapa da região. Foram diversas as tentativas de revisão do mapa final, mesmo após assinatura do Tratado. Apenas em 1899 foi finalmente acertada a paz na região, e o acordo de 1881 foi oficialmente aceito por ambos os países. O evento ficou como conhecido como o Abrazo del Estrecho.

Presidentes de Argentina e Chile – e suas delegações – firmam acordo de paz em Punta Arenas. Evento ficou conhecido como Abrazo del Estrecho e ocorreu em 15 de fevereiro de 1899.

 


 

Fundação de Ushuaia (1884)

Logo após a definição do mapa da região, o governo argentino decidiu por formalizar sua presença na região. Assim, buscou aliar-se a missões anglicanas que haviam se estabelecido no local em 1869. Neste mesmo período, a porção sul do território argentino foi dividido em Províncias, sendo criada, assim, a da Terra do Fogo. Aos 12 de outubro de 1884, no Forte de Ushuaia sobre o solar do Convento de San Uriel Arcángel de los Gloriosos Vientos Australes, o comodoro Augusto Lasserre registra a criação da cidade de Ushuaia, alçada instantaneamente à condição de capital da província. A população da cidade era, então, de apenas 300 habitantes – sem contar a população indígena.

Comodoro Augusto Lassere, que formalizou a fundação da cidade de Ushuaia.

 


 

Construção do Presídio de Ushuaia (1902)

A função punitiva da Terra do Fogo é colocada em prática ainda em 1884. Na afastada Isla de los Estados, em San Juan de Salvamento, local original do Farol que inspirou o livro de Julio VerneFarol no Fim do Mundo“, é construído um pequeno espaço que funcionou como prisão federal entre os anos de 1884 e de 1902. Este primeiro presídio foi construído pelos próprios entre 1884 e 1889. Em 1899, no entanto, devido às condições sub-humanas da prisão na Isla de los Estados, o governo decide que seria construído uma nova instalação na cidade de Ushuaia. Em 1902, finalmente, os presos são transferidos e a construção do presídio, uma vez mais pelas mãos dos detentos, se inicia e segue em ampliação até 1920.

Inicialmente, o presídio era destinado a presos militares. Com a ampliação, passaram a receber também presos reincidentes e condenados de crimes mais graves. Posteriormente, presos políticos eram encaminhados também à instalação.

Durante os seus 45 anos de operação, o presídio de Ushuaia funcionou como motor da economia local. Avanços tecnológicos chegavam como complemento da atividade carcerária. Foi assim que a linha ferroviária local foi construída, o trem do fim do mundo, hoje atração turística. Nela, os presos cortavam árvores e pedras que abasteciam a construção não apenas do presídio, mas das casas e comércios da cidade.

Os dilemas com o tratamento sub-humano dos condenados, no entanto, permaneciam. Os presos sofriam com o frio excessivo, a falta de calefação, a umidade alta e o trabalho forçado. Com o aumento do fluxo de informação, a pressão sobre o governo central para que se melhorassem as condições de encarceramento.

Detentos no refeitório do presídio, em 1933. O uniforme de listras amarelas e azuis é característico do local.

 


 

Fechamento definitivo (1947)

Foi durante a gestão do Padre Roberto Petinatto sob governo de Perón, que em 1947, em definitivo, decidiu-se pelo encerramento das atividades do complexo prisional. Os presos foram transferidos a outras cadeias argentinas.

A gestão do prédio do presídio, então, foi outorgada à Marinha Argentina, que passou a usá-lo como depósito. Não houve, por cerca de 50 anos, qualquer cuidado para manutenção ou restauração dos 5 pavilhões.

O fechamento causou grande impacto na economia local, que dependia do presídio para prosperar. Quando do fechamento do presídio, a população total da cidade era de cerca de 1.900 habitantes. Iniciou-se, assim, um período de diversas atividades e incentivos. O auge veio com a Lei de Promoção Industrial 19.640, que instala em Ushuaia um novo regime aduaneiro e tributário, buscando atrair investimentos para a região. É neste período que Ushuaia sofre seu maior boom de crescimento populacional. Causado pela necessidade de se movimentar a economia de um local dependente quase que exclusivamente de uma prisão.

Vista de um dos corredores do Presídio de Ushuaia. Calefação apenas no vão central, piso frio e muita umidade.

 


 

Reabertura como Museu (1994)

A contínua degradação do presídio de Ushuaia movimentou a sociedade civil. Foi criado um movimento denominado Asociación Civil Museo Marítimo de Ushuaia, que passou a solicitar que o presídio fosse esvaziado pela Marinha e sua destinação fosse a de se tornar um museu, com apoio da própria Marinha. Em 1994, depois de anos de reivindicação, finalmente é aberto ao público o Museo del Presídio.

2 anos mais tarde, em 1996, é criado um anexo Museu de Arte Marítima, aumentando as possibilidades de exibição, focando sempre nas questões fueguinas. No ano seguinte, em 1997, o museu é declarado Monumento Histórico Nacional pelo Congreso de La Nación, o Congresso Nacional argentino. Neste mesmo ano, tem início um dos trabalhos mais emblemáticos do local: a construção de uma réplica com restauração de itens do Farol do Fim do Mundo original. Hoje, nas dependências internas, tem uma réplica fiel do Faro de San Juan de Salvamento, com itens originais da época. Rapidamente, esta atração turística se tornou uma das mais procuradas em Ushuaia.

O Farol do Fim do Mundo recriado.

Réplica do Farol de San Juan de Livramento no Museu do Fim do Mundo, em Ushuaia.

 


 

Hoje em dia!

Hoje o museu tem agenda repleta de atrações o ano todo. Estar em suas dependências é embarcar numa viagem pela história não somente de Ushuaia, mas de toda a ocupação da Patagônia. E podemos entender um pouco mais de como um dos lugares mais exuberantes em termos de turismo ecológico do mundo durante 45 anos teve sua economia e crescimento girando em torno de um presídio.

O local está aberto o ano todo. De março a dezembro, funciona das 10h às 20h. Em janeiro e fevereiro, no auge do verão, está aberto das 9h às 20h.  Mais informações, como valores de entrada e datas especiais, você pode verificar no site do museu.

Vista aérea do museu fica localizado na esquina das ruas Gobernador Paz e Yaganes.

 


 

O entendimento das passagens históricas de um lugar explicam como chegamos até aqui e ajudam a explicar eventos importantes. Por exemplo, de como as próprias missões britânicas geraram o sentimento de posse que culminou com a Guerra das Malvinas. De como a chegada do colonizador quase aniquilou por completo a população indígena local, sua cultura e idioma e de como isto afeta as tentativas de recuperação da identidade original do lugar. (Diversas locais da região, especialmente lagoas e montanhas, estão sendo nomeadas também com seus nomes indígenas)

O Presídio de Ushuaia serviu como fio condutor da economia local por mais de 4 décadas e gerou repercussões que hoje se mantêm vivas com o Museu. Recomendamos fortemente que você, em sua passagem por Ushuaia, reserve um período para conhecer o lugar e fazer uma imersão na história da cidade.

E para que isto aconteça, claro, você tem que, primeiro, organizar sua viagem à Patagônia. Portanto…

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