Um dia em família na Pinguineira com Navegação, de Ushuaia Sob Medida. Um passeio único, mágico, um contato inesquecível com a natureza. Imperdível!

***

Numa manhã de não muito frio, mas avisados que estávamos das temperaturas que seguramente cairiam ainda mais por estarmos prestes a seguir mais ao sul pelo Canal Beagle, saímos de Ushuaia rumo a Estância Haberton com alguns casacos a mais. Assim fomos, prevenidos contra o frio. À nossa frente, uma excursão programada para durar mais de 9 horas, com direito a visitar a pinguineira, local onde os pinguins se refugiam para procriar.

No passeio, enfrentaríamos por um lado, a necessidade de silêncio absoluto e nada de correria. Os pinguins são animais sensíveis a barulho e movimentações bruscas. Por outro, erámos 3: eu, meu filho de 5 anos e minha filha de 3 anos.

Olha aí a gente no barco indo para a Pinguineira!

Pongamos no barco que nos levaria rompendo as águas geladas do canal. Muitos brasileiros e gente de todo lugar do mundo. Eram famílias inteiras, casais, viajantes solitários, gente nova, gente da terceira idade. Tinha de tudo um pouco! Preparado que eu estava, havia lanches na mochilaágua (fundamentais num passeio de tão longa duração), e passatempos para as crianças: muitos papéis para desenhar e lápis de cor. Para qualquer emergência, há uma pequena lanchonete no barco, com bebidas e alguns snacks próprios para viagem. O café e o chocolate quente ajudaram muito na volta!

No caminho, as simpáticas guias vão falando das peculiaridades dos vilarejos que víamos ao longe, dos exploradores que primeiro chegaram, “ali é Chile”, “já ali é Argentina”. Conhecem muita da história local, discorrem com leveza a cada tópico. Falam cada passagem em espanhol, em inglês e até arriscam um português! Impossível perder algum ponto. Aliás, a atenção dispensada por todos os responsáveis pelo passeio foi essencial, e garantiu uma viagem absolutamente agradável a todos. Cruzamos por todas as atrações principais do Canal Beagle: o Farol Les Eclaireurs, a ilha dos lobos marinhos e o espaço dos cormorones, ave local muito semelhante ao pinguim, mas que voa!

O Farol Les Eclaireurs, ou o Farol do Fim do Mundo.

Pouco tempo adentro, o capitão reduz a velocidade: uma baleia jubarte está próxima. Meus dois filhos eram a cara da expectativa. Qual não seria outra reação! Gritaram e festejaram subida e a não tão grande cauda da baleia nos saudando por sobre as águas. Prontamente se colocaram com seus papéis, depois dos tchaus à baleia, para desenhá-la tal.

O tempo passa voando (ou navegando?), nem sentimos quando chegamos à estância. Fomos direto para o almoço, num restaurante que é o único do local. Como fomos alertados anteriormente, o restaurante somente aceita dinheiro, e tinha levado comigo pesos suficientes para que nós três comêssemos bem, incluindo as sempre bem-vindas empanadas. Dali a pouco, pinguins!

Os cormorones em seu espaço!

Depois de devidamente almoçados, tomamos um barco-quase-bote rumo a um lado mais afastado da Estância. Uma vez mais, meus filhos eram a cara da expectativa. Tivemos muitas conversas durante a viagem, e isso foi fundamental. Preleção, “junta aqui. Olha, tem que fazer silêncio, falar baixinho, não pode correr, não pode tocar, vai assustar os pinguins, mas pode bater fotos, apontar pro papai. OK?” Assimilaram perfeitamente.

Já na costa onde o bote atracou, pinguins refestelavam-se preguiçosos sob o sol e sobre a praia cheia de pequenas pedras e de areia muito grossa. Minha filha aponta o dedinho, “olha papai, pinguins!”, faz cara de “que bonitinho!”. Meu filho pede a máquina fotográfica. Quer ele bater as fotos. Um vento forte e gelado confirmava a necessidade de mais agasalho, mas para aquelas gorduchas aves, era uma brisa de verão. Meus filhos querem chegar mais perto. Atendendo seus chamados, vamos de mãos dadas e nos sentamos na areia para eles verem os desengonçados bichos a cerca de um metro e meio de distância. Nossos anfitriões não parecem se importar, conquanto não sejam importunados.

Pinguins tranquilos a cerca de um metro e meio de distância na praia, assim que chegamos.

As guias nos chamam: hora de ir aos ninhos!

Bela vai na frente, quer liderar o grupo. A extremamente simpática e paciente guia fica por perto observando, enquanto vou mais atrás tendo que puxar meu filho que a todo instante parava para tirar fotos e mais fotos.

“Vamos, filho! A gente tem que ir!”

Logo, um grande quase-descampado se mostra uma verdadeira fábrica de pinguins. Um caminho estreito, em alguns momentos a não mais do que 10 centímetros de distância dos ninhos, se delineava com marcações com pedras e cordas. Alguns dos elegantes animais em seus smokings naturais nos observam, desconfiados e imóveis. Outros entram e saem de seus buracos cavados para proteção dos ovos. Nos meus pequenos, é visível o desejo quase incontrolável que eles sentem de fazer um carinho num deles!

“Deixa, papai!” Seus olhinhos suplicam.

O campo de reprodução dos pinguins, com seus ovos protegidos dentro dos buracos que eles cavam.

Um dos casais de pinguins me chama à atenção. Estão abraçados, como se admirando o pôr-do-sol, numa agradável tarde de céu aberto sem nuvens e com vento cortante para uns, um sopro morno de felicidade para eles. Em seu buraco, a cria quem breve virará vida. Seus focinhos estão virados a quarenta e cinco graus com relação ao corpo, levemente inclinados para cima, altivos, imponentes. Eram a harmonia entre a serenidade e a plenitude. Cúmplices de uma jornada bem feita. Suas asas, em metamorfose, transformam-se agora em braços e mãos, que tocam suavemente o dorso da companhia, com a leveza do dizer “estou aqui”, os quadris encostados, enamorados. Sua linguagem corporal estática diz, em letras garrafais, mas com a calmaria que o lugar exige, “Com você vou até o fim do mundo.”

#tamojunto

Voltamos para bote, e ainda houve tempo para conhecer o museu da Estância, com uma guia local que falava sobre as espécies naturais da Patagônia.

Durante a volta à cidade, já no barco, envoltos em seus alfarrábios colorantes, meus filhos pintaram pinguins e afins, seus novos companheiros de passeios. Cruzamos com mais duas baleias no canal, desta vez possivelmente mãe e filhote. Já não estão mais assim tão empolgados, boas 8 horas já se haviam corrido.

Depois, pés grudados em terra firme após longas despedidas a todos, garantimos uma pipoca, um café para mim, biscoitos com bolo e suco para eles, para já dormirem no táxi em meu colo antes de chegarmos à cabana alugada pela semana. Eram, neste momento, o semblante do cansaço e da felicidade.

Com muito custo, consigo dar banho e trocar o pijama dos dois. Repouso-os na cama de casal e ajeito o meu colchão de solteiro no chão para dormir. Penso que posso ter passado hora ou mais olhado os dois ali, estirados folgosos, ele coberto, ela, calorenta, se livrando de lençol.

Era o fim de um dia mais do que especial. Um dia que ficará para sempre guardado na memória, retratado nas centenas de fotografias batidas por mim, por meu filho e por mais algum ajudante providencial que garantiu que saíssemos os 3.

Percebo que a distância até ali parece a esquina de casa.

Que, por eles, vou até o fim do mundo.

***

Saiba mais sobre

Pinguineira com Navegação!

pinguineira com navegação

Conheça todos os passeios de

Ushuaia no Verão!

Conheça todos os passeios de

Ushuaia no Inverno!

Encontre em contato AGORA MESMO e agende sua experiência inesquecível!


1 comentário

Deixe uma resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados *

Postar Comentário